CAFÉ 3 (café amargo)
Como era hábito, cheguei cedo demais. Enfim, ainda havia tempo para um café. Mesmo junto ao cruzamento combinado existia um café-restaurante, antigo, enorme, tal como parecia do lado de fora. Sentei-me ao balcão, outras pessoas estavam já lá sentadas, quase todos operários. O empregado, baixo e pálido, apressava-se a nos servir a todos, que o rodeávamos, intercalados entre croquetes e bolos pouco imaginativos. Era um local de pressas, nada mais, destacava-se apenas um anúncio por cima de uma das prateleiras de bebida: “Sopa – 0,90€”.
Ao meu lado estava um emigrante de Leste. Tinha a roupa suja do trabalho de construção civil e mesmo em frente um brasileiro também aparentava o mesmo trabalho... e ambos pediram o mesmo..
Uma sopa comida à pressa – porque está boa e há que esquecer metade da manhã
Um pão a acompanhar – porque é de graça e até ao final do dia ainda existe muito que fazer
Um copo de água – Porque faz calor
Um cigarro – Dos que se fumam devagar apoiando uma das mãos na cabeça e queimando 30 segundos de pensamentos longínquos…
E um café – Para que se não note o fraco almoço e o trabalho começa dentro de 10 minutos...
“É um euro e quarenta!”
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