Wednesday, September 28, 2005

Mombaça

Mombaça fumava sentado um cigarro debaixo de um chapéu em cima de em homem baixo, moreno e quase velho que se sentava debaixo de um sol que se incendiava por cima da praça do Gostoso.

Na verdade não sei se fumava, se respirava um cigarro, dormido. Era um homem imensamente triste, queimando. Habitava a praça já alguns anos na completa letargia apática que o caracterizava, apagado.

Diziam os habitantes com ar sério, nostálgico e respeitoso: “Era o maior pescador da aldeia” e riam-se incrédulos num lugar fértil de amores “Como alguém por ficar assim por um desgosto de mulheres?”

Diziam os turistas com ar compreensivo, sério e cobarde ”Ah, foi um desgosto de amor!” e riam-se ignorantes na arrastada estupidez importada e urbana “mas parece que as pessoas daqui dizem que já foi o maior pescador da aldeia”

Mombaça expirava o fumo, devagar... e eu também.