Rua da Boavista
“Um café!! Com dignidade e açúcar... desculpe.. com pouco açúcar, e dignidade é só meia....” Salvador acabava de se sentar no habitual banco do habitual café do final da habitual Rua da Boavista.... Tinha provocado um habituado riso.... situado em par ao balcão.... a Carlos e Pedro e às suas eternas memórias de guerra, não das traumáticas, mas das que todos os dias vinham para beber um copo e os vangloriam numa caneca em solidariedades de guerra distorcida... Salvador desprezava-os. Se não fossem as pernas e uma daquelas idades que já pesam.... mas um dia aqueles ainda iam ver..... Mais novos? Que fossem! Estava farto deles.... “Meia dignidade... olha que a vais pagar toda...” Continuavam a rir-se... “Este cada dia trás uma.... às vezes penso que vem bêbado...” comentou Carlos a Pedro e ao pires de tremoços... “Sr. João, traga-me também um copo com água, duas pedras de gelo e uma de tranquilidade pobre, uma de miséria tranquila (da que só se vê ao perto), uma de tristeza sincera, uma de transcendência... mas da que persiste sem se derreter e equivocar com a desilusão do sumo amargo e explicito dos dias...... e a conta”
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